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Frigoríficos não têm como checar origem dos bois que compram, diz associação


jun 04

Publicado por celito: na(s) categoria(s) Meio ambiente, Notícias.
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Parte do gado abatido na Amazônia vem de locais desmatados ilegalmente.
Grupo de exportadores de carne nega ter responsabilidade sobre isso.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) representa os maiores frigoríficos exportadores do Brasil. Seu presidente, Roberto Gianetti da Fonseca, aponta em entrevista que seus associados não têm, de fato, como se certificar de que todo gado comprado na região amazônica não venha de áreas desmatadas ilegalmente (saiba mais sobre a relação entre a pecuária e a devastação da Amazônia).

Ele argumenta, no entanto, que na Amazônia muitas vezes sequer é possível saber quem é o proprietário de uma terra, quanto mais se ela tem alguma irregularidade ambiental. Em entrevista, ele garante que os frigoríficos estão, sim, comprometidos com a preservação da floresta.

Fantástico - Os frigoríficos que formam a Abiec compram gado criado em áreas desmatadas irregularmente na Amazônia?

Roberto Gianetti da Fonseca - As indústrias exportadoras de carne associadas a Abiec têm preocupação ambiental, tanto ou mais do que os ambientalistas têm aqui no Brasil. Não desejamos que o desmatamento ilegal seja ocupado pela atividade de criação de gado. De forma nenhuma isso é nosso interesse. O problema é que não há como rastrear [a origem do gado].

Estamos implantando hoje no Brasil a rastreabilidade sanitária e, paralelamente, estamos fazendo a rastreabilidade ambiental. Mas isso demora tempo. Isso já vem desde a década de 70 e 80, quando a criação de gado na Amazônia era estimulada com incentivo fiscal. Não é uma coisa recente que do dia para noite podemos consertar.

Há dois problemas. Primeiro, na Amazônia nem conhecemos direito a situação fundiária, quanto mais a situação ambiental para dizer se a área tem desmatamento ilegal ou não. Em segundo lugar, diferentemente da soja ou de outras culturas de solo, o gado anda. Então a dificuldade é saber, nas fases de cria e engorda, onde este gado esteve, se foi em zona de desmatamento ilegal ou não.

O Ministério Público Federal no Pará está entrando com uma ação em que cita os frigoríficos como co-responsáveis pelos desmatamentos ilegais. O senhor concorda?

Eu não concordo porque os frigoríficos não têm condição de checar ou de ter um documento legitimo e crível de onde esse gado procedeu. Não há nenhuma lei no Brasil proibindo o abate de gado por origem. E, neste caso, se fossemos pensar assim, o consumidor também estaria incorrendo no mesmo crime, que não existe. Não é previsto na lei esse crime para o frigorífico.

Há algum histórico de frigoríficos que recusaram comprar gado de criadores que sabiam que tinham desmatado além da conta ou cometido outro crime ambiental?
Com certeza. Muitos casos de frigoríficos, inclusive esses três que estão hoje instalados lá no estado do Pará, várias vezes já denunciaram ou falaram não, quando determinado fornecimento era de zona ou de região nitidamente ilegal.

O caso é que o pecuarista vai de qualquer forma abater o gado dele. Não estamos resolvendo o problema aí. Só estamos empurrando ele pro outro lado. Ele vai abater aonde? Nos frigoríficos clandestinos que, por sinal, ainda ocupam 30% do mercado brasileiro.

O que pode ser feito para que a pecuária não seja um fator de pressão sobre a Amazônia?

Para preservar a Amazônia da “invasão pecuária”, vamos assim chamar, que ocorreu, e que ainda é um problema corrente, há muitas soluções. Uma delas é aumentar a taxa de suporte das pastagens do centro-sul brasileiro, especialmente no cerrado, que ainda tem um suporte muito baixo - cerca de uma cabeça por hectare.

Poderia aumentar para duas cabeças por hectare. Hoje abatemos 40 milhões de cabeças por ano no Brasil. Podemos ir para 80 milhões se quisermos, sem derrubar uma árvore. É só melhorar a produtividade.

Mas abrindo frigoríficos na Amazônia a indústria não está estimulando os produtores a desmatar?

Abrir frigoríficos na Amazônia não é necessariamente a causa do desmatamento. Então a Amazônia não vai produzir carne? O pessoal lá tem direito de comer carne, de ter produção. O que não pode é fazer o desmatamento ilegal.

Fonte: Globo Amazônia

Comentário do blog adventista: Talvez os criadores e produtores, ou os comercializantes e exportadores, não tenham mesmo culpa ou responsabilidade nehuma nisso tudo, afinal, quanta carne eles conseguem consumir, de todo o montante produzido? Será mais ou menos de 0,05%? Normalmente os maiores culpados ficam do lado de fora do balcão do açougue, consumindo os outros 99,95%!

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jun 04

Publicado por celito: na(s) categoria(s) Meio ambiente, Notícias.
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Carne acaba em grandes supermercados, diz Greenpeace.
Couro vira calçados, tênis, roupas, mochilas mundo afora.

A terra indígena dos Apyretewas, no Pará, está sendo comida pelas bordas. O território de 7.700 km² tem cerca de 1.200 invasões de pessoas que derrubam a mata para criar gado, segundo a Funai.

A reserva fica nos municípios de Altamira e São Félix do Xingu. Uma equipe do Fantástico convidou alguns membros da aldeia para sobrevoar o local, e eles ficaram espantados com os imensos buracos na floresta.

O grupo que vive na área depende da caça, e eles têm sentido uma diminuição significativa no número de animais na região. Isso vem comprometendo a própria alimentação e a subsistência dos indígenas.

Pasto no lugar de floresta

Em outra região, nas proximidades de Marabá (PA), o desmatamento não ocorre em reservas indígenas, mas denúncias informam que pecuaristas transformaram a floresta em grandes fazendas de gado.

De avião, a paisagem que se vê embaixo é de grama, não de mata. A dona da área é a Agropecuária Santa Bárbara, que tem hoje 560 mil animais. A empresa já foi multada em mais de R$ 100 milhões por crime ambiental.

A Espírito Santo é uma das sete fazendas da Santa Bárbara que foram embargadas pelo Ibama, o que impediria qualquer tipo de atividade produtiva. Da porteira até a sede são 22 km. Lá, cria-se mais de 70 mil cabeças de gado, e pelo tamanho dos pastos não dá nem para imaginar que a região faz parte da Floresta Amazônica.

O embargo do Ibama é para proteger a floresta. Como a área foi desmatada, o gado impede a vegetação natural de crescer novamente. O advogado da agropecuária, Vinícius Ribeiro, diz que já recorreu das multas.

“Se há crime de desmatamento, esse foi cometido por quem praticou o crime. Pode ter sido quem vendeu [a terra] para a Santa Bárbara, pode ter sido o seu antecessor. O que caberá ao proprietário, se for a Santa Bárbara, será recompor essas áreas de reserva legal e de área de preservação permanente”, alega.

Bois ilegais

No Pará, 21 fazendas embargadas têm rebanhos de gado. Elas vendem para 13 frigoríficos e curtumes da região. Os dados são do Ministério Público Federal, que entrou com uma ação judicial contra quem cria e quem compra o boi de áreas ilegais.

“A partir do momento que o frigorífico compra gado de um lugar que é embargado, o frigorífico é responsável solidário por aquele dano ambiental”, explica procurador da República Daniel Cesar Avelino.

Os procuradores também cruzaram dados e chegaram a uma relação de 72 empresas que compram desses frigoríficos - entre elas grandes redes de supermercados.

“Estamos enviando a elas uma recomendação para que elas deixem de comprar desses frigoríficos, ou seja, deixem de participar dessa cadeia produtiva que acaba gerando dano para a floresta amazônica”, afirma o procurador Avelino.

Fora do Brasil

A carne e o couro do boi criado em áreas desmatadas também abastece o mercado externo. O Greenpeace rastreou durante três anos o caminho desses produtos e descobriu: a carne chega a grandes redes de supermercados misturada àquela que é produzida em áreas regulares.

O couro é beneficiado na Ásia, na Europa e na América do Norte. Vira calçados, tênis, roupas, mochilas e assentos de automóveis mundo afora. Nesta segunda-feira (1°) o Greenpeace lançou uma campanha mundial para alertar sobre o avanço da pecuária ilegal na Amazônia.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes diz que uma das grandes preocupações do setor é a preservação, mas que é difícil descobrir a origem do produto.

“Nós não desejamos que o desmatamento ilegal seja ocupado pela atividade de criação de gado. Agora, o problema é que não há como rastrear. Nós estamos implantando hoje no Brasil a rastreabilidade sanitária, e paralelamente estamos fazendo a rastreabilidade ambiental, mas isso demora tempo”, declara Roberto Gianetti da Fonseca, presidente da associação.

O Ministério do Meio Ambiente afirma que o governo está fiscalizando todas as fazendas embargadas e que vai restringir o crédito aos frigoríficos que compram dessas regiões.

“Nós falamos para o BNDES, que vai proceder empréstimos milionários para frigoríficos, para consultar previamente o Ibama, porque estão desmatando, entrando dentro de área indígena, de áreas de reserva. Esses não terão o crédito concedido”, afirma o ministro do meio Ambiente, Carlos Minc.

Fonte: Globo Amazônia

Comentário do blog adventista: Até quando os cristãos vão esperar para ter mais amor ao próximo(nesse caso especificamente, os índios) e ao meio ambiente, evitando o consumo de carne?

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